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Tributos: veja quais aumentaram desde 2023 no Brasil

  • julho | 2025
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Desde o início de 2023, o governo federal intensificou medidas para elevar a arrecadação e alcançar a meta de déficit fiscal zero. Com foco no aumento de tributos e na revisão de incentivos, mais de 25 mudanças foram implementadas em menos de três anos. As alterações afetam diretamente empresas, investidores e consumidores, e geram impactos em diversos setores da economia.

Entre novos encargos, aumento de alíquotas e fim de isenções, o cenário tributário brasileiro passou por uma transformação significativa, reacendendo debates entre Executivo, Legislativo e Judiciário. A seguir, reunimos as principais alterações em tributos e taxas adotadas de 2023 a 2025.

Compensações judiciais e reoneração abriram caminho para novas cobranças

A ofensiva fiscal começou com a Medida Provisória nº 1.202/2023, que limitou o uso de créditos tributários obtidos por decisões judiciais. Empresas que buscavam reaver tributos pagos a maior foram diretamente afetadas. Inicialmente, a MP previa o fim do Perse (Programa Emergencial do Setor de Eventos), mas o texto foi alterado após pressão do setor produtivo.

Outro marco foi a tentativa do governo de reverter a alíquota reduzida de PIS/Cofins. Embora o Congresso tenha rejeitado a proposta, o STF validou a decisão do Executivo em 2024, restabelecendo a cobrança integral desses tributos.

Fundos exclusivos, JCP e Carf: mudanças estruturais no sistema fiscal

A partir de novembro de 2023, fundos exclusivos e offshores passaram a ser tributados com alíquotas de 15% para aplicações de longo prazo e 20% para curto prazo. A medida teve como alvo investidores de alta renda e visou corrigir distorções no sistema.

Também houve mudança na regra dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), com restrição no uso como ferramenta de planejamento tributário. A alteração afetou grandes empresas e gerou reação do setor privado.

No Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), a retomada do voto de qualidade garantiu a vitória da Receita Federal em casos de empate, reforçando a arrecadação. A estimativa do governo é de um impacto anual de até R$ 60 bilhões.

Setores estratégicos foram alvo de medidas pontuais

Entre as medidas com foco setorial, destacam-se:

  • Aumento do IPI sobre armas e munições, em outubro de 2023;
  • Proibição do uso de ICMS como crédito de PIS/Cofins;
  • Fim da isenção de IRPJ e CSLL sobre subvenções;
  • Taxação de compras internacionais acima de US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”;
  • Imposto mínimo de 15% sobre lucros de multinacionais com receita superior a €750 milhões.

Essas ações ampliaram significativamente a base de incidência dos tributos, atingindo desde o varejo digital até o setor industrial.

Apostas, IOF e investimentos: novas frentes de arrecadação

Em 2025, o marco regulatório das apostas esportivas estabeleceu uma nova fonte de arrecadação. Empresas do setor passaram a pagar:

  • Outorga de R$ 30 milhões,
  • 18% de imposto sobre o faturamento bruto,
  • 15% de IRPJ e CSLL, com sobretaxa de 10%,
  • 9,25% de PIS/Cofins (regime não cumulativo),
  • ISS entre 2% e 5%.

Já o IOF foi reajustado em várias frentes, como cartões de crédito internacionais, operações de câmbio, seguros de vida e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC). As cooperativas de crédito também perderam tratamento fiscal diferenciado a partir de determinado volume anual.

Perspectiva futura exige atenção redobrada

A Medida Provisória nº 1.303/2025 consolidou a política fiscal do governo ao encerrar a isenção de IR sobre LCI, LCA, CRI e CRA, elevar a CSLL de instituições financeiras de 9% para 15%, e aumentar a alíquota de JCP de 15% para 20%, a partir de 2026. Criptoativos também passaram a ser tributados com IR de 17,5%.

Embora o aumento de tributos tenha como objetivo viabilizar a meta fiscal, parte do mercado, parlamentares e setores produtivos reagem negativamente, apontando a ausência de cortes estruturais nos gastos públicos.

Empresas, contadores e gestores devem manter atenção contínua à evolução dessas medidas, revisando planejamentos e estratégias. A agenda fiscal do país ainda promete novos capítulos — e acompanhar esse movimento é essencial para manter a competitividade e a segurança jurídica.

Fonte: Contábeis e CNN. 

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