O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o plano de tarifas recíprocas, batizado por ele de “Dia da Libertação”, incluirá todos os países, contrariando as expectativas de uma aplicação mais seletiva. A decisão eleva as tensões comerciais globais e gera incerteza nos mercados financeiros.
“Você começa com todos os países. Essencialmente, todos os países dos quais estamos falando”, afirmou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, segundo a Reuters. O plano prevê tarifas proporcionais às cobradas por outras nações sobre produtos americanos, com o objetivo de proteger a economia dos EUA contra a concorrência considerada desleal.
Impactos da decisão de Trump nos mercados globais
A ampla abrangência das tarifas já impacta os mercados financeiros. No início da manhã, os índices futuros registraram quedas expressivas:
- Dow Jones Futuro: -0,45%
- S&P 500 Futuro: -0,76%
- Nasdaq Futuro: -1,20%
Os títulos do Tesouro americano também registraram forte valorização, com os investidores buscando ativos mais seguros diante do temor de uma recessão nos EUA. O rendimento dos papéis de dois anos caiu seis pontos-base, para 3,85%, enquanto os de dez anos recuaram para 4,20%.
“Com o risco de recessão nos EUA, a parte curta e intermediária da curva de juros americana é o melhor abrigo”, afirmou Jamie Niven, gestor da Candriam, à Bloomberg.
Incerteza econômica e o temor da estagflação
A incerteza em torno das tarifas de Trump impacta não apenas os mercados, mas também as expectativas econômicas de longo prazo. O ouro atingiu um recorde histórico de US$ 3.128,06, impulsionado pela busca de segurança dos investidores. Enquanto isso, o iene avançava e o índice do dólar subia 0,07%, a 104,080.
“Acredito que só uma coisa pode ser dita com certeza: a incerteza não terminará com o anúncio das tarifas recíprocas por Trump”, afirmou Jane Foley, chefe de estratégia de câmbio do Rabobank.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, destacou que a Europa precisará reforçar seu controle econômico para mitigar os impactos das tarifas dos EUA.
Trump e a escalada da guerra comercial
Na sexta-feira, Trump declarou que está aberto a acordos com países que busquem evitar tarifas. No entanto, o Washington Post reportou que ele tem instruído seus assessores a adotarem uma postura mais agressiva.
A perspectiva de estagflação — estagnação econômica combinada com inflação elevada — preocupa investidores. Mohamed El-Erian, consultor econômico da Allianz, alertou no X que o “cheiro de estagflação nos EUA está se intensificando”. O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan caiu para o menor patamar em dois anos, enquanto as expectativas inflacionárias de longo prazo subiram para 4,1%, o maior nível em 32 anos.
O Goldman Sachs aumentou a probabilidade de uma recessão nos EUA nos próximos doze meses de 20% para 35%, elevando também sua previsão de inflação e projetando três cortes de juros pelo Fed até dezembro.
“Nossa revisão reflete a forte deterioração na confiança das famílias e dos negócios, além da postura mais agressiva da Casa Branca”, destacou o banco em nota.
Com o anúncio das tarifas, Trump reforça seu posicionamento protecionista, mas amplia o risco de impactos negativos na economia global. Os próximos dias serão decisivos para entender o verdadeiro impacto dessa medida no mercado internacional.
Quer se manter atualizado? Acompanhe o Morning Call, nosso boletim diário transmitido ao vivo pelo Instagram e YouTube do Grupo Studio, de segunda a sexta-feira.