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Tarifa EUA: o que esperar após anúncio de 50% sobre produtos brasileiros

  • julho | 2025
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A tarifa EUA de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente americano Donald Trump, pegou o mercado de surpresa. A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, representa um salto expressivo frente aos 10% previamente divulgados durante o Liberation Day, período em que o Brasil ainda mantinha negociações para evitar qualquer elevação tarifária.

Para analistas da Suno Research, a decisão surpreende pelo papel dos Estados Unidos como parceiro comercial relevante para o Brasil e pelo superávit registrado na balança comercial em favor dos americanos.

Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por cerca de 12% das exportações brasileiras, atrás apenas da China, que representa 29%. Embora as exportações para os EUA correspondam a aproximadamente 2% do PIB brasileiro, setores com maior dependência desse mercado, como metalurgia, agroindústria e siderurgia, devem sentir os efeitos da tarifa EUA de forma mais intensa.

Além disso, o superávit americano na balança comercial com o Brasil, situação normalmente usada como argumento contra medidas protecionistas, não foi suficiente para conter a imposição da nova tarifa EUA, evidenciando o caráter político e estratégico da decisão.

“No curto prazo, a tarifa EUA tende a gerar repercussões negativas sobre a bolsa brasileira, com impacto mais direto em empresas exportadoras”, afirmam Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, e João Arthur Almeida, CIO da Suno Wealth.

Três pontos de atenção após o anúncio da tarifa EUA

Segundo análise da Suno Research, três desdobramentos do anúncio merecem atenção imediata:

Reação do governo brasileiro

O Brasil pode optar por retaliar a tarifa EUA elevando tarifas sobre importações americanas. Essa medida, no entanto, tende a aumentar os custos de produção para empresas brasileiras, especialmente em setores que dependem de máquinas, motores e equipamentos importados dos Estados Unidos, pressionando a inflação local. Por outro lado, o governo americano já sinalizou que responderá proporcionalmente a qualquer retaliação brasileira, ampliando os riscos de uma escalada protecionista entre os países.

Negociações até agosto

Apesar do anúncio, a tarifa EUA só passa a valer em 1º de agosto, o que mantém a janela de negociações aberta. No entanto, o tom político adotado na carta enviada por Donald Trump ao governo brasileiro indica um caminho mais difícil para um acordo que reverta a decisão. Analistas avaliam que a postura dura de Trump busca reforçar sua base eleitoral ao adotar medidas nacionalistas e de defesa da indústria local.

Precificação de ativos

A tarifa EUA pode gerar reavaliação nos preços de ativos ligados ao setor externo. Isso cria oportunidades pontuais para investidores atentos que identifiquem ações excessivamente descontadas. Empresas exportadoras, principalmente as de médio porte, tendem a sofrer maior pressão no curto prazo, enquanto o câmbio também deve refletir o novo cenário, trazendo volatilidade ao dólar frente ao real.

A medida pode ainda redefinir estratégias de exportação brasileiras, incentivando a busca de novos mercados e acordos bilaterais para reduzir a dependência dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, aumenta a pressão interna por maior competitividade industrial, investimentos em inovação e revisão de estruturas tributárias que elevam o custo Brasil.

Para analistas, mesmo que revertida ou suavizada, a ameaça de novas tarifas EUA deve permanecer como risco constante nas relações comerciais entre os dois países, especialmente durante o período eleitoral americano, quando decisões protecionistas tendem a ganhar força política.

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