Após um período de estabilidade em dezembro de 2024, o setor de serviços registrou uma leve retração de 0,2% em janeiro de 2025 na comparação com o mês anterior, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE. Apesar desse resultado, o volume de serviços avançou 1,6% em relação a janeiro de 2024, marcando a décima taxa positiva consecutiva. O desempenho do setor foi afetado principalmente pela queda de 1,8% nos serviços de transportes, que sofreram reduções significativas nos segmentos dutoviário, aéreo, rodoviário coletivo de passageiros, ferroviário de cargas e correios.
Transportes lideram a retração nos serviços
O setor de transportes foi o principal responsável pela queda no volume em janeiro, refletindo um recuo de 1,8%. A redução na demanda por transporte dutoviário, aéreo e ferroviário impactou diretamente a receita de empresas do segmento. Além disso, o volume de transporte de passageiros caiu 7,6% em relação a dezembro de 2024, influenciado pelo aumento nos preços das passagens aéreas (alta de 10,42%). O transporte de cargas também sofreu impacto, registrando a terceira queda consecutiva (-0,7%), acumulando perda de 3,3% nos últimos três meses.
Desempenho regional dos serviços
A retração do setor de serviços em janeiro foi acompanhada por 17 das 27 unidades da Federação. O Distrito Federal (-8,7%), Minas Gerais (-1,7%), Pernambuco (-4,5%) e Amazonas (-7%) foram os estados com os maiores impactos negativos. Em contrapartida, estados como São Paulo (0,9%), Rio de Janeiro (1%) e Santa Catarina (3,4%) registraram crescimento, ajudando a conter uma queda mais acentuada no cálculo nacional.
O índice de atividades turísticas recuou 6,4% em janeiro, após um crescimento de 3,1% no mês anterior. Essa queda foi a mais intensa desde março de 2021 (-24,4%), sendo impulsionada pela redução no movimento de restaurantes, transporte aéreo de passageiros e serviços de bufê. No contexto regional, 12 dos 17 estados pesquisados acompanharam essa tendência de queda, com destaque para São Paulo (-8,3%), Rio de Janeiro (-5,4%) e Minas Gerais (-4,2%).
Por outro lado, na comparação com janeiro de 2024, o setor turístico apresentou crescimento de 3,5%, impulsionado pelo aumento da receita de empresas de transporte aéreo de passageiros, restaurantes e serviços de reservas relacionadas à hospedagem. Os destaques positivos foram Bahia (9%), Santa Catarina (7%) e Goiás (8,6%).
O CEO do Grupo Studio, Carlos Braga Monteiro, alerta para os riscos dessa desaceleração: “Se essa tendência continuar, pode comprometer o crescimento econômico, já que o setor de serviços representa 70% do PIB.” Ele destaca que os serviços prestados às famílias também foram impactados pela queda no consumo de lazer e alimentação fora de casa, enquanto o setor de tecnologia da informação e comunicação apresentou crescimento de 2,3%, impulsionado pela digitalização.
Sidney Lima, analista CNPI da Ouro Preto Investimentos, também destaca a importância do ambiente macroeconômico para a recuperação do setor: “A retração reflete custos elevados e demanda enfraquecida. Enquanto serviços ligados à tecnologia seguem resilientes, é essencial reduzir os juros e estimular o consumo para evitar um impacto maior ao longo do ano.”
Apesar da queda de 0,2% em janeiro, o setor de serviços segue como um dos principais motores da economia brasileira, e a evolução dos juros e do crédito será determinante para sua retomada nos próximos meses.
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