A reforma tributária, principal projeto de regulamentação no cenário econômico brasileiro, será sancionada hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Palácio do Planalto. De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, os vetos que acompanham a sanção tratam apenas de questões técnicas, sem alterar o mérito da proposta aprovada pelo Congresso Nacional.
— Os vetos não mexem com as decisões de mérito do Congresso. Eles ajustam questões técnicas que podem afetar a implementação da reforma — afirmou Haddad.
O que muda com a reforma tributária?
A reforma tributária estabelece um novo sistema de impostos no Brasil, que segue o modelo adotado em diversos países, baseado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Essa estrutura visa simplificar a tributação, eliminando a cumulatividade e unificando tributos federais, estaduais e municipais.
No caso brasileiro, o IVA será dual, composto por dois impostos principais:
- Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS): substitui PIS, Cofins e IPI, sob competência federal.
- Imposto sobre Bens e Serviços (IBS): une ICMS e ISS, geridos por estados e municípios.
Além da simplificação, a proposta inclui medidas como o cashback (devolução de tributos para pessoas de baixa renda), o chamado Imposto Seletivo, que incide sobre produtos nocivos à saúde (conhecido como “Imposto do Pecado”), além de regras específicas para a cesta básica e tarifas reduzidas.
Com essas mudanças, o sistema tributário brasileiro promete maior transparência e eficiência, promovendo um ambiente mais favorável para contribuintes e empresas.
Prazos e debates na regulamentação
Após a promulgação da PEC da reforma tributária em 2023, o Congresso passou 2024 debatendo sua regulamentação. Parlamentares e o governo discutiram os detalhes das medidas, mas os prazos se tornaram um ponto crítico. O presidente Lula tem até hoje para sancionar o texto aprovado pelo Congresso, e a expectativa é que os vetos sejam mínimos.
Eduardo Braga (MDB-AM), relator no Senado, e outros deputados envolvidos no grupo de trabalho afirmaram que não houve novas negociações com o governo para ajustes significativos. Isso indica que o texto deverá ser mantido com alterações apenas pontuais.
Impacto nas alíquotas
A reforma tributária também define parâmetros claros para as alíquotas aplicadas ao consumo. Segundo Haddad, a alíquota média permanecerá em 22%, como estabelecido no início das discussões. No entanto, a alíquota-padrão — referência para descontos e isenções — pode alcançar 28%, dependendo das isenções concedidas.
— Estamos respeitando o mérito daquilo que o Congresso decidiu. A alíquota média será de 22%, mas a revisão periódica das isenções pode ajustar a alíquota-padrão para um valor superior — explicou Haddad.
A implementação da reforma tributária marca um passo importante para modernizar o sistema tributário brasileiro, alinhando-o às melhores práticas internacionais. O modelo simplificado promete não apenas facilitar a arrecadação, mas também reduzir custos e garantir maior competitividade para empresas nacionais.
Com a sanção presidencial e a regulamentação em andamento, o Brasil se prepara para uma nova era de transparência e eficiência fiscal.
Quer se manter atualizado? Acompanhe o Morning Call, nosso boletim diário transmitido ao vivo pelo Instagram e YouTube do Grupo Studio, de segunda a sexta-feira, às 9h.