A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – subiu pela 18ª semana seguida, passando de 5,58% para 5,60% em 2024. Os dados são do Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC), que compila as expectativas das instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
As projeções também apontam um aumento na inflação para os próximos anos: 4,35% em 2026, 4% em 2027 e 3,8% em 2028. Para 2025, a previsão está acima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Inflação e impacto nos preços
Em janeiro, o IPCA registrou uma taxa de 0,16%, o menor índice para o mês desde 1994, antes da implantação do Plano Real. A desaceleração foi impulsionada pelo Bônus Itaipu, que concedeu descontos na conta de luz de milhões de brasileiros. Contudo, isso não significa que os preços diminuíram, mas sim que o ritmo de alta foi menor. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,56%.
Juros básicos e política monetária
Para conter a inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A alta do dólar e incertezas na economia global levaram o BC a elevar a Selic na reunião de janeiro, consolidando um ciclo de aperto monetário.
A previsão é que a Selic atinja 15% ao ano em 2025, antes de iniciar uma queda gradual: 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028. Quando a Selic sobe, o crédito se torna mais caro, desestimulando o consumo e, consequentemente, freando a inflação. Por outro lado, quando a taxa é reduzida, o crédito se torna mais acessível, impulsionando o consumo e estimulando a economia, mas também aumentando a pressão inflacionária.
PIB e câmbio
O mercado financeiro também revisou para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, passando de 2,03% para 2,01% em 2024. Para 2026, a estimativa de crescimento é de 1,7%, enquanto para 2027 e 2028 as expectativas são de 1,98% e 2%, respectivamente.
No terceiro trimestre de 2024, o PIB cresceu 0,9% em relação ao trimestre anterior, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado do ano até setembro de 2024 é de 3,3%, mas o resultado oficial será divulgado pelo IBGE em 7 de março.
Em relação ao câmbio, a previsão é que o dólar encerre o ano em R$6,00, mantendo-se nesse patamar também no final de 2026. A volatilidade do câmbio e as incertezas do cenário internacional seguem como fatores de impacto na economia brasileira, influenciando diretamente a inflação e a política monetária do país.
O comportamento da inflação nos próximos meses será determinante para as decisões do Banco Central e para os rumos da economia. O mercado segue atento aos indicadores econômicos e às estratégias do governo para manter a estabilidade e o crescimento sustentável.
Fonte: Agência Brasil.
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