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Pesquisa mostra o cenário da agricultura digital no país

  • agosto | 2020

A utilização de instrumentos digitais para comercialização, interesse por soluções digitais, gargalos em infraestrutura de conectividade e falta de conhecimento sobre as tecnologias disponíveis são alguns temas extraídos da pesquisa feita com mais de 750 participantes entre produtores rurais, empresas e prestadores de serviço sobre tendências, desafios e oportunidades para a agricultura digital no Brasil.

O levantamento foi realizado através de uma parceria entre a Embrapa, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e apontou que 84% dos agricultores brasileiros já fazem uso de pelo menos uma tecnologia digital como ferramenta de auxílio na produção agrícola.

Os números mostram que a facilidade de comunicação e de acesso à informação gerado pela internet é a porta de entrada para inserir o agricultor nessas tecnologias. Mas funcionalidades mais aprofundadas, capazes de ampliar o acesso a mercados, diminuir despesas ou ainda agregar valor à produção já estão no foco de produtores rurais, com potencial de expansão.

Através de painéis interativos (dashboards), é possível observar todos os resultados da pesquisa de maneira estratificada. As consultas podem ser feitas a partir dos dados sobre o perfil do agricultor e do prestador de serviço. Os dados também estão disponíveis para consulta no sumário executivo.

O levantamento foi feito na área do projeto de cooperação “Inteligência estratégica para pequenos negócios rurais: agregação de valor e tecnologia”, dirigido pela Secretaria de Inovação e Negócios (SIN) da Embrapa e firmado em conjunto com o Sebrae. O intuito do estudo é ajudar a orientar novas pesquisas e inovações, além de custear estratégias de mercado.

A pesquisa amostral, aplicada por meio de um questionário on-line, ficou disponível entre abril e junho deste ano e contou com a participação de 504 agricultores, de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. A maioria deles, 72%, cultivam áreas de até 50 hectares, com agricultura, pecuária e silvicultura, e 69% têm mais de dez anos de experiência na atividade rural.

Seja para agilizar a comunicação na hora de contratar um serviço, pesquisar o preço de um insumo ou para enxergar a propriedade com outros “olhos”, mapeando a lavoura e planejando a atividade, a pesquisa mostra um retrato atual de como esses produtores rurais estão utilizando a internet, aplicativos de celular, drones, entre outras tecnologias, e também um panorama das suas expectativas e dificuldades.

Mais de 70% dos produtores rurais que responderam à pesquisa disseram que acessam a internet para interesses gerais sobre agricultura. Já as redes sociais, como o Facebook, e os serviços de mensagem, como o WhatsApp, foram apontados por 57,5% deles como meios utilizados para obter ou divulgar informações relacionadas à propriedade, comprar insumos ou vender sua produção.

“Essas ferramentas são utilizadas em atividades gerais com o objetivo de ajudar no planejamento e na gestão da propriedade, mas foi possível observar também que uma boa parte dos produtores rurais já utiliza outras aplicações a partir de sensores remotos e de campo, eletrônica embarcada, aplicativos ou plataformas digitais para fins específicos em uma cultura ou sistema de produção”, explica o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária(SP) Édson Bolfe, que coordenou o estudo.

Cerca de 40% dos produtores disseram que vêm usando essas novas tecnologias como canal para a compra e venda de insumos e da produção e, ainda, em torno de um terço deles utiliza soluções digitais com o objetivo de mapear a lavoura e a vegetação e para a previsão de riscos climáticos. “Outras aplicações das tecnologias aparecem em número menor, mas vemos como áreas com tendência de crescimento aquelas voltadas para o bem-estar animal, citada por 21,2% dos respondentes; e para certificação ou rastreabilidade dos alimentos, mencionada por 13,7% deles”, completa Bolfe. Ele ressalta ainda que 95% dos produtores registraram na pesquisa que desejam mais informações sobre agricultura digital.

Tecnologias revolucionárias para o campo

Bolfe conta que os agricultores e prestadores de serviços que participaram da pesquisa colocaram nos primeiros lugares da lista de desejos as soluções para melhorar o planejamento e a gestão da propriedade, que devem vir principalmente por meio de aplicativos e plataformas web. “Mas há também uma forte expectativa por tecnologias que dependem de inovações em sensores e outros equipamentos e técnicas mais avançadas, como inteligência artificial, internet das coisas, automação, robótica, big data, criptografia e blockchain”, destaca.

São soluções com potencial de provocar grande impacto nos sistemas produtivos, em termos de aumento da produtividade, eficiência e redução de custos, qualidade da produção, redução de impacto ambiental e acesso ao mercado. “É a nova agricultura. Existe uma projeção para 2030 indicando que haverá uma intensa revolução no campo e ela já começou”, comenta Francisco Severino, gerente técnico corporativo da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana). A Cooperativa firmou uma parceria com a Embrapa no fim de 2019 para inovar o modelo de trabalho, melhorando a produtividade e, consequentemente, a renda dos produtores, com o uso de tecnologia blockchain e soluções em sensoriamento remoto.

Fonte: Embrapa

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