O ex-presidente do Brasil, Michel Temer, que esteve à frente do Executivo entre 2016 e 2018, participou da abertura do Seminário Agronegócio, realizado pelo LIDE. O evento abordou a importância e os avanços dos biocombustíveis no Brasil, setor intimamente ligado ao crescimento do agronegócio no país.
Durante sua participação, Temer destacou seu decreto que regulamentou o Renovabio e ressaltou a relevância da produção de biocombustíveis a partir de cana-de-açúcar, milho e outros produtos agrícolas. Segundo ele, esse segmento não apenas impulsiona o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, mas também tem um papel fundamental na preservação ambiental.
Temer citou um comentário de Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco do BRICS, para reforçar o potencial do Brasil no agronegócio global. Segundo Troyjo, nas próximas décadas, a população mundial deve crescer em aproximadamente 2 bilhões de pessoas, concentradas em apenas nove ou dez países.
“A China e a Índia, que têm quase 1,5 bilhão de habitantes cada, enfrentam uma escassez de água. Dizem que, se cada indiano consumir mais dois copos d’água por dia, faltará água no país. E qual é a nação com os maiores reservatórios subterrâneos e terras agricultáveis do mundo? O Brasil. Temos uma oportunidade única de alimentar o planeta e, especialmente, esses 2 bilhões de novos habitantes. Somos, de fato, o país do futuro”, afirmou Temer.
O desafio do agronegócio no Brasil
Apesar do enorme potencial, o agronegócio brasileiro enfrenta desafios. Temer destacou a ideologização de temas como o meio ambiente e a questão indígena, que, segundo ele, deveriam ser tratados com base na Constituição Federal, e não por viés político-partidário.
“O meio ambiente e a defesa dos indígenas passaram a ser associados a um espectro político específico. Enquanto isso, o agronegócio é frequentemente criticado. O que menos se faz no Brasil é cumprir a Constituição”, afirmou o ex-presidente.
Sobre a questão indígena, Temer citou dois dispositivos constitucionais: um transitório, que estabelece a demarcação de terras existentes até a promulgação da Constituição de 1988, e o artigo 231, que permite identificar novas terras indígenas ao longo do tempo.
“Se forem identificadas novas terras, o governo precisa indenizar os proprietários, e ponto final. Além disso, a responsabilidade pelo meio ambiente é compartilhada entre União, estados, municípios e o Distrito Federal. Todos precisam trabalhar juntos”, reforçou.
Michel Temer ainda destacou que, durante seu governo, não houve conflitos entre agricultores e ambientalistas, pois as divergências eram resolvidas por meio do diálogo direto.
“Eu reunia na minha sala o ministro do Meio Ambiente, Ezequiel Sarney, e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Naturalmente, havia conflitos, mas eles eram solucionados na conversa. A polarização excessiva impede o entendimento e prejudica o avanço do agronegócio no Brasil”, explicou.
Diante desse cenário, Temer defende uma abordagem pragmática, baseada no cumprimento da legislação e na colaboração entre os setores. Com um mercado global cada vez mais dependente da produção agropecuária brasileira, garantir um ambiente favorável ao agronegócio é essencial para que o Brasil continue sendo um dos protagonistas do setor no mundo.
Fonte: Money Times.
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