A geração de energia solar no Brasil avançou significativamente em junho de 2025, consolidando sua relevância na matriz elétrica nacional. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Sistema Interligado Nacional (SIN) gerou 3.376 megawatts médios (MWmed) a partir de usinas fotovoltaicas centralizadas, o que representa um aumento de 15,5% em comparação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 2.922 MWmed.
O desempenho da energia solar se destaca em um mês marcado por queda na produção total de energia no SIN, que recuou 0,7%, totalizando 71.097 MWmed. Os dados reforçam o papel estratégico da fonte fotovoltaica, que tem se mostrado uma alternativa eficiente e sustentável diante das flutuações climáticas e da necessidade de diversificação energética.
Fontes renováveis seguem em expansão
Além da energia solar, outras fontes limpas também registraram crescimento em junho. A geração eólica avançou 9,5% no período, enquanto as termelétricas cresceram 10,4%. Já as hidrelétricas, tradicionalmente responsáveis por grande parte da matriz elétrica brasileira, apresentaram queda de 5%, impactadas principalmente pelo nível dos reservatórios.
Do lado da demanda, o consumo de energia elétrica no SIN caiu 0,6%, somando 66.922 MWmed. O Ambiente de Contratação Livre (ACL) registrou retração de 1,0%. Mesmo com a exportação de 839,58 MWmed, o saldo final foi de uma leve queda de 0,2% no consumo total.
Desempenho regional e por atividade econômica
Na análise regional, Maranhão (9,7%), Rio Grande do Sul (7,7%) e Santa Catarina (4,6%) lideraram as altas no consumo de energia. Em contrapartida, Mato Grosso do Sul (-12,3%), Rondônia (-9,5%) e Amapá (-8,2%) tiveram as maiores quedas.
Por setor, os maiores avanços foram registrados na extração de minerais metálicos (+6,1%) e minerais não-metálicos (+2,2%). Em sentido oposto, telecomunicações (-6,7%) e bebidas (-5,0%) puxaram as retrações.
Energia solar ganha protagonismo no planejamento do setor
O crescimento da energia solar também tem se refletido nas decisões estratégicas do setor. Na reunião de junho do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou projeções positivas para o atendimento energético até dezembro de 2025, impulsionado pela recuperação dos reservatórios da região Sul.
Com o objetivo de garantir segurança no fornecimento e reduzir custos operacionais, o CMSE recomendou que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) viabilize o despacho flexível de térmicas estratégicas, como Luiz Oscar Rodrigues de Melo e Porto do Sergipe I. A medida busca dar resposta rápida à demanda nos horários de pico, otimizando o uso de ativos já instalados, sobretudo os movidos a Gás Natural Liquefeito (GNL).
Outro ponto importante foi a deliberação para que o ONS, em conjunto com EPE, Aneel e CCEE, entregue até setembro uma proposta de aprimoramento regulatório. O foco é alinhar as bases de dados de geração utilizadas nos estudos elétricos e energéticos, o que tende a beneficiar o planejamento e a previsibilidade de fontes como a energia solar.
Mais que tendência: a consolidação da energia solar como ativo estratégico nacional
O avanço da energia solar não é apenas uma resposta às pressões ambientais ou econômicas. Ele representa uma virada de chave na estrutura do setor elétrico. À medida que essa fonte limpa se torna mais competitiva e escalável, ela passa a ocupar posição central no planejamento energético do país.
As articulações entre os principais órgãos do setor indicam um movimento coordenado para sustentar o crescimento da energia solar com inteligência regulatória e eficiência operacional. Em um cenário de transição energética global, o Brasil encontra na luz do sol uma de suas principais aliadas.
Fonte: Portal Solar.
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