Pressionado pelo aumento do dólar e dos preços dos alimentos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide nesta quarta-feira (11) a nova elevação da taxa básica de juros, a taxa Selic. Esta reunião marca a despedida de Roberto Campos Neto da presidência do BC, com Gabriel Galípolo assumindo o cargo em janeiro.
De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, é esperado um aumento de 0,75 ponto percentual, elevando a Selic para 12% ao ano. Este será o terceiro aumento consecutivo da taxa, reforçando a política de controle inflacionário.
Cenário internacional e política fiscal
O último comunicado do Copom, divulgado após a reunião de novembro, destacou a incerteza econômica nos Estados Unidos, citando o contexto de desaceleração e desinflação. Embora não tenha mencionado diretamente a eleição de Donald Trump, o texto sinalizou preocupação com o ritmo de mudanças da política monetária norte-americana conduzida pelo Federal Reserve (Fed).
No cenário doméstico, o Copom enfatizou o monitoramento rigoroso da política fiscal e a necessidade de ajustes nos gastos públicos. Esses fatores são cruciais para a estabilidade da economia brasileira e influenciam diretamente as decisões sobre a taxa Selic.
Inflação em alta
A inflação segue como um dos principais desafios para o Banco Central. Segundo o último boletim Focus, a projeção para o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2024 subiu de 4,71% para 4,84%, superando o teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual.
Em novembro, o IPCA registrou alta de 0,39%, influenciado pela queda nos combustíveis e pela bandeira verde nas contas de luz. Contudo, os preços da carne e das passagens aéreas mantêm a pressão inflacionária. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulou alta de 4,78%, acima das estimativas do mercado.
Como funciona a taxa Selic
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação no Brasil. Ela serve como referência para as demais taxas de juros da economia e é utilizada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
Quando o Copom eleva a taxa Selic, o objetivo é conter a demanda e reduzir a pressão sobre os preços. Taxas mais altas encarecem o crédito, estimulam a poupança e freiam a expansão econômica. Por outro lado, cortes na Selic incentivam o consumo e a produção, mas podem comprometer o controle inflacionário.
Atualmente, o Brasil enfrenta um cenário desafiador, no qual o Copom precisa equilibrar medidas para conter a inflação sem prejudicar o crescimento econômico. Desde agosto de 2021, a Selic passou por um ciclo de elevações, alcançando 13,75% ao ano. Entre agosto de 2022 e maio de 2023, houve sete cortes consecutivos, reduzindo a taxa para 10,5%. No entanto, o ciclo de alta foi retomado em julho deste ano devido à persistência da inflação.
Para o próximo ano, a meta de inflação definida pelo CMN é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. No último Relatório de Inflação, divulgado em setembro, o Banco Central estimou que o IPCA encerraria 2024 em 4,31%. Contudo, a alta recente do dólar e os impactos climáticos, como a seca, podem influenciar as projeções futuras. O próximo relatório será publicado no fim de dezembro, oferecendo uma visão mais atualizada do cenário econômico.
A decisão do Copom nesta quarta-feira será crucial para sinalizar os rumos da política monetária brasileira. Com a transição na liderança do Banco Central, o mercado está atento às estratégias para enfrentar os desafios internos e externos que impactam diretamente a economia do país.
Fonte: Agência Brasil.
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