Nesta segunda-feira (16), o boletim Focus apresentou novas projeções para os principais indicadores econômicos do Brasil, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a taxa Selic. Esses números refletem as decisões mais recentes do Comitê de Política Monetária (Copom), que vem ajustando a política de juros para lidar com as pressões inflacionárias.
A mediana do relatório para o IPCA de 2025 subiu pela nona semana consecutiva, passando de 4,59% para 4,60%, superando o teto da meta de inflação, que é de 4,50%. Há quatro semanas, a projeção estava em 4,12%, indicando um aumento consistente nas expectativas. Ao considerar apenas as 52 estimativas mais recentes, atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana recuou de 4,73% para 4,63%.
A partir de 2024, o regime de metas será contínuo, ou seja, o Banco Central avaliará o IPCA acumulado em 12 meses, com uma meta central de 3% e uma tolerância de 1,5 ponto percentual, resultando em um intervalo entre 1,5% e 4,5%. Caso a inflação ultrapasse esse limite superior ou inferior por seis meses consecutivos, o Banco Central será considerado fora do cumprimento da meta.
O boletim Focus também trouxe revisões para a inflação de 2024, com a mediana subindo de 4,84% para 4,89%, acima do teto de 4,50%. Quatro semanas atrás, a projeção era de 4,64%. Para 2026, a mediana permaneceu estável em 4,0%, enquanto, para 2027, houve um avanço de 3,58% para 3,66%, marcando o segundo aumento consecutivo nas expectativas para esse ano.
Na última terça-feira, o IBGE revelou que o IPCA de novembro subiu 0,39%, um valor ligeiramente acima da mediana esperada, de 0,36%, conforme dados da pesquisa Projeções Broadcast. Essa alta reforça as expectativas de inflação, que continuam pressionadas por fatores como o câmbio, os impactos do pacote de ajuste fiscal e o aumento das taxas de juros.
Segundo o Banco Central, no cenário de referência – que considera o dólar a R$ 5,95 e evoluindo conforme a paridade do poder de compra –, o IPCA de 2024 deve encerrar o ano em 4,90%, antes de desacelerar para 4,50% em 2025. Essas previsões reafirmam a relevância do boletim Focus como uma ferramenta de monitoramento das tendências econômicas.
Projeções para a Selic no boletim focus
As expectativas para a taxa Selic também foram ajustadas no boletim Focus desta semana. A mediana das projeções para o fim de 2025 subiu de 13,50% para 14,0%, refletindo as decisões mais recentes do Copom, que elevou os juros de 11,25% para 12,25% na última quarta-feira (11). O comitê sinalizou ainda que realizará dois novos aumentos de 1 ponto percentual cada, o que levaria a Selic para 14,25% até março de 2024, o maior nível desde 2016.
Para o fim de 2026, a estimativa intermediária passou de 11,0% para 11,25%, enquanto, para 2027, estabilizou-se em 10,0%. Esses números contrastam com as projeções de quatro semanas atrás, quando o mercado previa uma Selic de 9,25% ao fim de 2027.
O comunicado mais recente do Copom destacou que o cenário econômico tornou-se “menos incerto e mais adverso” devido à materialização de riscos, como a desancoragem das expectativas de inflação, o aumento do prêmio de risco e a pressão sobre a taxa de câmbio. Essas mudanças impactaram diretamente as previsões do boletim Focus, que agora reflete um ambiente econômico mais desafiador.
Mesmo com os esforços do Banco Central para conter as pressões inflacionárias, as projeções para a inflação continuam elevadas. O IPCA de 2024 subiu para 4,89%, enquanto as expectativas para o segundo trimestre de 2026, considerado o horizonte relevante da política monetária, também aumentaram de 3,60% para 4,0%.
Fonte: Ei Investidor.
Quer se manter atualizado? Acompanhe o Morning Call, nosso boletim diário transmitido ao vivo pelo Instagram e YouTube do Grupo Studio, de segunda a sexta-feira, às 9h.