
O cenário: tarifas que sobem acima da inflação ano após ano
A ANEEL projetou alta média de 8,6% nas tarifas de energia elétrica para 2026 — quase o dobro do IPCA previsto para o ano. Não foi uma surpresa. Em ciclos recentes, reajustes expressivos já foram aprovados para distribuidoras como Copel (20,51%), CPFL Santa Cruz (18,89%), Energisa Mato Grosso do Sul e outras oito distribuidoras com altas entre 5% e 15% homologadas em abril de 2026. Juntas, essas concessões atendem mais de 63 milhões de unidades consumidoras.
Para o CFO de uma empresa com conta de energia entre R$ 50 mil e R$ 500 mil mensais, esse não é um custo de linha de rodapé. É um custo que cresce a cada ciclo tarifário, sistematicamente acima da inflação, e que pressiona margem sem que a empresa entregue mais produção, mais serviço ou mais receita em troca.
A questão, portanto, não é se o custo de energia vai subir. É o que a sua empresa faz antes do próximo reajuste.
O Grupo Studio estrutura quatro caminhos para reduzir o impacto das tarifas de energia no resultado das empresas. Cada modelo tem uma lógica diferente de acesso, investimento e retorno. A decisão correta depende do perfil de consumo, da estrutura física das instalações e dos objetivos financeiros da empresa.
1. Geração Distribuída: produzir para consumir
A Geração Distribuída (GD) permite que a empresa instale uma usina de geração própria — geralmente fotovoltaica — diretamente no telhado, estacionamento ou área descoberta do imóvel, e injete o excedente na rede para compensar consumo em outros horários ou unidades.
O modelo é regulado pela Lei 14.300/2022 (Marco Legal da Microgeração e Minigeração Distribuída) e pela Resolução Normativa ANEEL 1.059/2023. A geração compensada reduz diretamente o volume de energia cobrado pela distribuidora, com retorno sobre o investimento que, em sistemas bem dimensionados, ocorre entre 3 e 6 anos — dependendo da tarifa local e do volume de irradiação.
Um ponto regulatório importante para o planejamento financeiro: a Lei 14.300 estabeleceu cobrança progressiva do Fio B (componente da tarifa que remunera a infraestrutura da distribuidora) sobre a energia compensada. O percentual passa a 60% em 2026 e chegará a 75% em 2027. Isso reduz parcialmente — mas não elimina — a economia em relação ao modelo anterior. Sistemas instalados antes de 2023 têm isenção total até 2045.
Para empresas proprietárias do imóvel com área disponível, roof viável e consumo previsível, a GD própria é o caminho de maior retorno de longo prazo. Para quem não quer imobilizar capital, existem os modelos a seguir.
2. Usinas por Locação: geração própria sem investimento de capital
O modelo de usinas por locação separa a propriedade do ativo da geração de energia. Em vez de adquirir o sistema fotovoltaico, a empresa contrata a instalação e operação da usina por meio de um contrato de locação de longo prazo — geralmente entre 10 e 25 anos — pagando uma taxa mensal pelo uso.
A lógica financeira é direta: a empresa elimina o desembolso de capital do investimento (que pode variar de R$ 300 mil a R$ 5 milhões dependendo do porte do sistema), mantém a geração própria no imóvel, e compensa o custo da locação com a redução na fatura da distribuidora. Na maioria dos casos, a diferença já é positiva a partir do primeiro mês — o contrato é estruturado para que o valor da locação seja inferior à economia tarifária gerada.
O imóvel não precisa ser próprio: empresas que alugam o espaço físico também podem contratar usinas por locação, desde que o contrato de locação do imóvel permita instalações permanentes ou que haja acordo com o proprietário. O sistema é instalado, operado e mantido pelo locador; a empresa contratante usa a energia gerada sem responsabilidade técnica pela infraestrutura.
Para o CFO, o impacto contábil também é distinto do investimento direto: o contrato de locação é despesa operacional, não imobilizado. Isso melhora o retorno sobre ativos (ROA) e não pressiona o limite de capex do período.
3. Energia por Assinatura: redução de custo sem nenhuma instalação
A Energia por Assinatura (ou Geração Distribuída Remota) é o modelo mais acessível para empresas que não têm área física disponível para instalar uma usina própria ou que alugam o imóvel sem possibilidade de modificações estruturais.
No modelo de assinatura, a empresa contrata cotas de geração em uma usina solar remota operada por um gerador credenciado. A energia gerada na usina é injetada na rede e compensada diretamente na fatura da distribuidora da empresa contratante, que recebe créditos proporcionais ao volume contratado. Não há instalação de nenhum equipamento na empresa, não há obra, não há manutenção.
A economia típica fica entre 10% e 20% na fatura mensal, após a incidência do Fio B. Pode parecer menor do que os modelos anteriores, mas para empresas sem opção de instalação própria — escritórios em edifícios comerciais, lojas em shopping, galpões de terceiros — é a única forma de acessar geração renovável com redução de custo imediata, sem capex e com contrato de curto a médio prazo (12 a 60 meses).
O modelo também é viável para condomínios industriais e grupos com múltiplas unidades consumidoras: a alocação de créditos pode ser distribuída entre diferentes CNPJs e endereços dentro do mesmo estado, desde que atendidos pela mesma distribuidora ou conforme as regras de compensação estabelecidas pela ANEEL.
4. Mercado Livre de Energia: negociar o preço em vez de aceitar a tarifa
Para empresas com consumo mensal relevante, o Mercado Livre de Energia representa a maior alavanca de redução de custo disponível no setor elétrico brasileiro — e a mais subutilizada por falta de informação técnica sobre o processo.
No Ambiente de Contratação Livre (ACL), a empresa compra energia diretamente de geradores ou comercializadores, negociando preço, volume, prazo e fonte (hidrelétrica, eólica, solar, gás). O transporte físico continua sendo feito pelas redes da distribuidora, que cobra pelo uso. A diferença está no preço da energia em si: em vez de aceitar a tarifa regulada pela ANEEL, a empresa negocia com liberdade de mercado.
A economia típica está entre 15% e 35% em relação ao mercado cativo, dependendo do perfil de consumo e das condições do contrato. Para grupos com múltiplas unidades, contratos centralizados em bloco tendem a capturar condições ainda melhores.
A Lei 15.269/2025 acelerou o cronograma de abertura do mercado: empresas atendidas em média e alta tensão (Grupo A) já podem migrar desde agosto de 2026. Empresas de baixa tensão — pequenas e médias indústrias, escritórios, comércio — terão acesso a partir de novembro de 2027. O processo de migração leva em média 180 dias, o que torna o segundo semestre de 2026 o momento ideal para iniciar a análise de viabilidade para quem ainda está no mercado cativo.
Como os quatro modelos se comparam para o CFO
Cada modelo tem uma lógica de acesso e retorno distinta. A escolha depende de três variáveis principais: o nível de tensão de atendimento da empresa, a disponibilidade de área física para instalação e a postura em relação ao investimento de capital.
A GD própria exige capital ou financiamento, mas entrega o maior retorno de longo prazo para quem tem área disponível e é proprietário do imóvel. A usina por locação elimina o capital inicial e mantém geração própria no imóvel, com economia positiva desde o primeiro mês. A energia por assinatura é o acesso mais simples, sem obra nem capex, ideal para quem está em imóvel alugado ou edifício comercial. O mercado livre é o caminho de maior escala para empresas com consumo alto em média e alta tensão, com economia que pode superar todos os outros modelos.
Os quatro caminhos não são excludentes: uma empresa pode instalar GD própria para reduzir o consumo cativo, alocar cotas de assinatura para unidades sem área disponível e, simultaneamente, migrar para o mercado livre nas unidades de maior consumo.
O diagnóstico energético como ponto de partida
O erro mais comum entre empresas que postergam a decisão é tratar o custo de energia como fixo e inevitável. A tarifa regulada sobe por critério regulatório, mas o quanto sua empresa paga por energia é uma decisão de gestão — e essa decisão pode ser tomada agora.
O Grupo Studio conduz diagnósticos energéticos para empresas e grupos econômicos, mapeando o perfil de consumo por unidade, identificando os modelos mais adequados para cada instalação, modelando o impacto financeiro de cada alternativa e estruturando contratos de GD, locação, assinatura e migração para o mercado livre. O ponto de partida é a análise da fatura atual — sem necessidade de visita técnica preliminar para a etapa de diagnóstico.
Com reajustes tarifários projetados acima da inflação para 2026 e os próximos anos, o custo de esperar é mensurável. Cada mês no mercado cativo sem análise de alternativas é um custo que poderia ter sido evitado.